Vivendo a tragédia: relatos direto de Brumadinho (MG)

Leia também

Lembra da cantora do Xibom Bombom? 20 anos após sucesso, segure o queixo ao vê-la hoje

Ex-vocalista de As Meninas, Carla Cristina fala sobre quarentena e surpreende com aparência.

Super doador: homem tem 40 vezes mais anticorpos para o novo coronavírus

Ele ficou uma semana internado lutando contra a Covid-19 e agora pode ajudar muita gente.

Quarentena na Globo: demissões, contratações e um novo programa para Fernanda Gentil

Emissora apostou nas contratações dos ex-BBBs Babu Santana e Rafa Kalimann.

Youtuber famosa causa fúria na web ao devolver filho adotado: ‘como se fosse um pet’

Os seguidores acusaram a famosa de ter usado a criança para conseguir vantagens.
Fabiana Batista Santos
Redatora Web há 5 anos. Prezo por desenvolver conteúdo de qualidade para levar informações úteis e pertinentes ao maior número de pessoas possível. Especialista em TV e Famosos, entretenimento, curiosidades, notícias do Brasil e mundo, decoração, saúde, entre outros.
Publicidade

Às 12h desta sexta-feira (25), eu Fabiana Batista Santos, 48 anos, moradora de Brumadinho, MG, recebi o telefonema da minha filha Jade, que trabalha no Instituto Inhotim, que ficou sabendo através de um funcionário da Vale que a barragem havia rompido e que acabara de acontecer uma enorme tragédia.

Neste momento, ninguém ainda sabia ao certo o que realmente havia acontecido até que começaram a chegar dezenas de mensagens pelo WhatsApp de funcionários da Vale e de pessoas que moravam perto da Mina do Feijão confirmando que uma catástrofe realmente acontecera.

Publicidade
Publicidade

A cidade de Brumadinho fica a aproximadamente 60 km de Belo Horizonte e tem cerca 50 mil habitantes, o município possui várias mineradoras e a maior parte da população trabalha nestas empresas. A Vale era uma das maiores da região, saiba mais.

Publicidade

Desespero e medo


A Defesa Civil de Brumadinho emitiu um alerta para que a população ribeirinha do rio Paraopeba deixasse suas casas e procurasse locais mais altos e seguros. O rio corta a cidade, passa bem aqui no centro. O pânico tomou conta das ruas, pessoas andavam desorientadas, a informações chegavam cada vez mais assustadoras pelas redes sociais, o comércio fechou, o Instituto Inhotim, que recebe turistas do mundo inteiro foi evacuado, as estradas de acesso a cidade foram bloqueadas e o clima de tristeza pairou sobre o vale do Paraopeba.

Publicidade

Cerca de 40 minutos depois da primeira informação sobre a tragédia, começaram a surgir os vídeos de funcionários que sobreviveram, ainda atordoadas eles mostravam a dimensão do desastre. E nesse momento a ficha começou a cair, amigos, pais de família, moradores da região que conheço desde criança, desaparecidos em meio a lama.

Socorro


O barulho dos helicópteros sobrevoando o leito do rio que passa próximo da minha casa (mas felizmente moro em uma chácara no alto de uma colina), mostravam que a situação era bastante séria, o som das sirenes dos bombeiros e das ambulâncias dominaram Brumadinho antes tranquilo, como de toda cidade pacata do interior de Minas Gerais.

A tarde caiu e com a proximidade da noite o desespero das famílias que continuam sem notícias de seus entes queridos aumentou. Um grupo chamado ‘Todos por Brumadinho’ que foi criado no WhatsApp, dava conta da dor dos filhos, esposas, mães, maridos e amigos dos desaparecidos. Dezenas de fotos de pessoas desaparecidas, que estavam na mineração no momento do desastre foram postadas.

As informações sobre para onde os feridos foram levados estão desencontradas, por isso várias pessoas estão indo de um hospital para outro nas cidades próximas de Brumadinho.

Os bombeiros montaram a sede da operação na Faculdade ASA, os corpos serão levados para a instituição para serem identificados. É lá que as famílias devem buscar informações daqueles que continuam desaparecidos.

Dor sem fim


Minha casa fica a aproximadamente 5 km do local onde estas imagens foram feitas.

Impossível não se comover com a dor das famílias, impossível não pensar que esta catástrofe poderia ser evitada, impossível não pensar que neste momento poderia ser eu chorando a morte do meu irmão João Paulo do Porto Batista, que trabalha na Vale e há poucos meses foi transferido do Feijão para outra mina da empresa. Me dói saber que muitas mães irão enterrar seus filhos e que eu poderia ser uma delas, pois meu filho mais velho já trabalhou na Mina do Feijão.

Cada rosto conhecido que vejo no grupo de desaparecidos me faz acordar dentro do pesadelo que Brumadinho está vivendo.