Será que a Justiça considera a classe médica como verdadeiros trabalhadores?

Em Solidariedade aos Servidores Públicos Estaduais Demitidos do Tocantins:

Todos os dias digo a mim mesmo : vou diminuir as minhas postagens de teor político porque desejo um pouco de paz. Mas como cumprir essa promessa se todos os dias uma situação esdrúxula vem conturbar a nossa vida?

Recentemente, após esgotadas todas as possibilidades de negociação com o governo do estado do TO, para o recebimento de 12 meses de salários atrasados dos anestesistas do estado, fui obrigado a fazer greve de fome por 4 dias e meio, na esperança de sensibilizar a sociedade para a difícil situação por que passávamos (passamos: o governo só pagou, sob ordem judicial federal, 50% do que nos deve).

Recebi o apoio de muitos colegas médicos e funcionários públicos estaduais de todas as categorias  (estudantes universitários, familiares, amigos reais e virtuais). Sendo assim, não poderia agir de outra forma, que não fosse me solidarizando com o desespero e o sofrimento de muitos trabalhadores contratados que foram demitidos pelo governo do estado na semana passada.

Perder o emprego neste momento econômico difícil por qual passa o nosso país não é brincadeira. O final do ano está aí, muitas crianças não entenderão a tristeza de seus pais, a não visita do “Papai Noel”, e os pratos vazios em sua ceia de natal. É cruel. Muito cruel.

Que há uma necessidade premente de se enxugar gastos e de se melhorar a aplicação dos recursos públicos , ninguém discute e duvida. Mas demitir funcionários da área da saúde que exercem com dedicação e competência suas funções primordiais, é brincadeira. 

Por que não diminuem os gastos inúteis com altos salários e as mordomias de uma minoria de funcionários públicos privilegiados?  Por que não atacam diretamente a corrupção e o desperdício de recursos públicos ? 

Recentemente,  assisti a um desabafo interessante de um médico naturalizado brasileiro, de origem cubana, onde dizia: “Isso é um absurdo. Não concordo com a determinação dessa promotora de justiça. Quem ela pensa que é ? Fugi de uma ditadura comunista perversa para entrar em outra? Vocês médicos brasileiros irão aceitar passivamente esse descalabro? Não me conformo com isso. Não me conformarei jamais.”

Ele se referia ao fato de “ter” recebido uma “ordem”, da promotoria pública da cidade de Araguaina (TO), segundo ele, que determinava, que os médicos após cumprirem suas horas de trabalho normais estipuladas pelo concurso público ou contrato de trabalho, caso não houvesse plantonista para cobrir os plantões no pronto socorro, teriam a obrigação de fazê – los.

Acreditem nisso: trabalho escravo determinado pela justiça. Se o setor de saúde é prioritário e de importância vital, que o governo e a justiça nos trate com o devido respeito. 

Nós médicos podemos trabalhar um ano sem receber, ser obrigado a trabalhar mais do que foi estipulado pelo contrato de trabalho, tirar vários dias consecutivos de trabalho sem o descanso necessário, dormirmos em verdadeiras pocilgas, comermos em pé e correndo (quando nos dão  comida), sem que a justiça do trabalho se manifeste e se posicione adequadamente. Quando vem e se manifestam e para nos oprimir?

Será que a justiça não nos considera trabalhadores dignos de sermos tratados com o respeito e a consideração que a lei nos delega?

Que absurdo é esse? Estamos cansados dessa situação (pelo menos eu e meu amigo cubano). Centenas de médicos contratados foram demitidos na semana que se passou. Essa determinação alucinada da promotoria foi expedida antes desta demissão em massa dos servidores públicos estaduais. 

Faço a seguinte pergunta: serão os médicos concursados tão acomodados e subservientes, que aceitarão passivamente que coloquem cabresto, sela e enfiem a espora em seu couro anêmico e desnutrido? Será que apenas um médico cubano, naturalizado brasileiro, terá coragem e sangue nas veias para lutar pelos seus direitos e se rebelar contra essa tirania?

Fica esta pergunta lançada  no ar.

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