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La Casa de Papel traz tramas policiais para nova série da Netflix

Seriado espanhol intriga e entretém, valendo-se de algumas verdades universais e fórmulas já consagradas do gênero.

Todos gostam de uma boa série policial, e é apostando nisso que a Netflix lançou La Casa de Papel, seriado espanhol sobre o roubo na casa da moeda espanhola, a chamada Casa de Papel do título. O seriado se vale de uma fórmula consagrada no cinema norte-americano, já vista em Onze Homens e Um Segredo, que é a preparação para o golpe, o recrutramento, a execução e as consequências quando o plano dá errado. Afinal, todo plano sempre dá errado em algum ponto.

 

Intrigante pela figura do misterioso Professor, o recrutador e cérebro por trás do grupo, a série ganha pontos por não ficar tão presa na ideia do roubo em si, mas em focar nos personagens por trás de cada máscara, nas histórias de vida e motivação de cada um, pois no fim do dia sempre algo nos move, e é nesse ponto que os protagonistas ganharão – ou não – a simpatia do público.

 

O lado policial também é bem explorado, de forma que encontramos um jogo clássico de xadrez no tabuleiro humano, com decisões individuais que podem colocar o melhor planejamento a perder, seja o planejamento do roubo perfeito ou da ação policial sem tragédias.

 

Assim, ainda que não seja revolucionária, La Casa de Papel é uma série interessante e divertida, que serve muito bem para dar um descanso até que as velhas conhecidas e aguardadas voltem de seus intervalos.

Blade Runner 2049 se mantém fiel ao original e entra na lista dos destaques do ano

Blade Runner foi um marco no cinema desde 1982, quando foi lançado. E fazer uma continuação era uma idéia insana, como declarou o diretor Dennis Villeneuve. Mas dessa insanidade, nasceu um dos melhores filmes do ano.

 

Blade Runner 2049 tem uma grande direção de arte, cenas fantásticas que mantém a atmosfera Noir do primeiro filme, sem se distanciar tanto da realidade como o primeiro. O jogo de luz cria cenas lindas. E tem a impressão digital de Ridley Scott por todo o filme, a partir do enredo, fazendo do longa uma grande e fiel continuação. Os debates éticos de vida, alma e livre arbítrio estão presentes, com novas nuances e percepções. E nesse contexto, as atuações funcionam perfeitamente bem sob a batuta do diretor, com belas interpretações de Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas, Jared Leto e companhia.

 

Alias, uma das tramas mais interessantes da história está justamente na relação entre o Blade Runner interpretado por Ryan Gosling e Ana de Armas, sua namorada virtual. A necessidade de um replicante de ter alguém é algo muito humano e um bom resumo do filme, que finalmente encerra um debate de décadas sobre a natureza de Deckard.

 

A única coisa ruim é a duração do filme, de quase 3 horas. Somado ao ritmo lento do filme, herança do original, a duração faz com que até o expectador mais interessado se canse e pense em desistir do filme, contudo vale a pena perseverar e aguardar o final, bem construído.

 

Orgânico com o filme original mesmo depois de tantas décadas, o filme consegue manter toda a pegada da obra prima e fazer uma bela continuação, que certamente vai virar um clássico instantâneo.

 

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Benedito Villela Alves Costa Junior

Contador de histórias apaixonado por filmes, séries, livros e música. Colunista, articulista, palestrante, professor e outras coisitas mas. Wonderlust.

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