Blade Runner: relembre o sucesso dos anos 80

Blade Runner entrou para a história do cinema como uma obra de ficção científica que redefiniu o gênero, sendo o filme de uma década, papel já exercido anteriormente por Star Wars e posteriormente por Matrix. Tamanho legado que serviu, inclusive, para sedimentar o nome do diretor Ridley Scott como mestre dessa categoria de filmes.

 

No filme, uma corporação no século 21 desenvolve clones humanos para serem usados como escravos em colônias fora da Terra, identificados como replicantes. Em 2019, um ex-policial é acionado para caçar um grupo fugitivo vivendo disfarçado em Los Angeles. Curioso como o futuro era visto 35 anos atrás. Não temos carros voadores, não temos replicantes, mas temos sim grandes corporações mais influentes que muitos países em um contexto na qual a tecnologia cada vez mais foge ao controle.

Marcado pelo seu clima noir, Blade Runner sofre com seu ritmo arrastado e sua música totalmente datada feita por Vangelis, o que poderia afastar ou desanimar o público atual, mas seu enredo, superficialmente inspirado no livro Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas, de Phillip Philip K. Dick, continua sendo seu grande chamariz. Ao se discutir a caça aos replicantes, que não eram mortos e sim ‘aposentados’ pelos caçadores de androídes, inclusive tendo sido limitados em sua longevidade em sua produção, o longa se aprofunda na (ausência de) diferença entre as formas de vida orgânicas e mecânicas, sejam elas animais ou humanoides, e a discussão da gênese da vida e da alma, é o que confere não a longevidade, mas a perpetuidade desse filme que já pode ser considerado um cult.

O filme já valeria a pena se parasse por ai, mas ainda há a cereja do bolo: o fato do policial Deckard ser ou não um replicante, discussão que tem levado décadas e que o novo longa poderá esclarecer. Para quem for buscar o filme, um aviso: existem duas versões, uma aprovada pelo estúdio que passou nos cinemas com um final mais comercial, e a outra, versão do Diretor, na qual são deixados mais elementos que ampliam a discussão da natureza do personagem interpretado por Harrison Ford. Tentem ver a do diretor, com o sonho do unicórnio e final no elevador, pois ela é a mais fiel à história que se busca contar.

E independente de ser Deckard um replicante ou não (a internet está povoada de teorias, eu me alinho com a que acredita que sim, ele é um replicante), a pergunta é a essência do filme, a sutiliza que justifica a grande obra. Nas palavras do poeta: a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza.

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Benedito Villela Alves Costa Junior

Contador de histórias apaixonado por filmes, séries, livros e música. Colunista, articulista, palestrante, professor e outras coisitas mas. Wonderlust.

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