Como enfrentar com dignidade a difícil tarefa de uma separação matrimonial?

Está aí uma difícil questão a ser respondida. Em pleno século XXI, é fácil compreender que o fim de um relacionamento amoroso é algo natural e salutar, quando as duas pessoas chegam a conclusão que precisam caminhar sozinhos para tentarem buscar a tão sonhada felicidade individual.

Fácil? Fácil “uma ova”. Só é fácil quando o estrago é feito na casa do vizinho. Quando a “bomba” estoura no nosso colo, vou confessar, é muito dolorido.

Estou passando por essa difícil situação, e serei honesto, dói pra caramba. Dói muito saber que um projeto que começou há mais de 30 anos (6 anos de namoro + 25 anos de casamento) precisará ser interrompido para o surgimento de um novo. 

Não é fácil ter a coragem de assumir de frente e com o “peito aberto” está nova situação. Muitas são as dúvidas e as variáveis a serem consideradas. Mexemos com os medos e com os “esqueletos” que estão escondidos dentro do armário de muita gente amiga e conhecida.

Como pode um casal tão bonito se separar? Meu Deus, parecia uma família tão perfeita, como isso aconteceu? Quem traiu quem? 

São essas algumas das perguntas que a sociedade se (nos) faz.

Compreendo a perplexidade, principalmente quando o casal que se separa se respeita e se gosta. Quando a separação é realizada na base da briga e do conflito, basta meter o “pé no balde”, arrumar um bom advogado e esperar que a luta se trave no campo judicial : se dará melhor quem conseguir depenar ou impor ao outro o maior prejuízo e a maior dor.

Mas quando este “problema” é enfrentado por duas pessoas que se gostam e se respeitam, o maior dilema à ser enfrentado é : como posso minimizar às dores emocionais e os prejuízos econômico em meu antigo companheiro que tanto amo e respeito? Como? Não há advogado no mundo que dará conta desta complicada tarefa. Será nós mesmos que teremos que “descascar esse espinhoso abacaxi”. Os verdadeiros juízes desse conflito serão as nossas consciências e as consciências de nossos filhos (se maduros forem para compreender a questão).

Estou passando por essa delicada situação, neste exato momento, e posso confessar-lhes com propriedade : dói,  dói muito.

A dor só não é maior que a dor causada pela falta de coragem de fazer o que é certo e honesto. Deixar um relacionamento desgastado e sem perspectiva  prosseguir, simplesmente porque estamos acomodados e sem coragem de tomar a iniciativa de se buscar uma verdadeira solução para o problema, dói mais, muito mais. Arrumar uma amante, se satisfazer às escondidas e continuar à  desempenhar o papel de marido ou mulher perfeita, só para dar uma resposta à sociedade, dói mais, muito mais.

E os filhos? Não pensaram nos filhos?

Essa talvez seja a pergunta mais fácil de ser respondida. Claro que pensamos! Qual filho ficaria feliz em ver seus pais tristes e desiludidos? Que exemplo de relação marido e mulher carregarão para o resto de suas vidas?

Finalizando, gostaria de dizer que só o verdadeiro amor poderá aliviar as dores e as angústias deste momento difícil. O amor pelo querido companheiro e agora amigo que trilhou bons e ruins momentos ao nosso lado, o amor aos nossos filhos que precisam compreender que seus pais também tem o direito de buscar a felicidade, o amor que devemos ter por nós mesmos.

É difícil, é doloroso, mas é necessário. 

Obrigado à todos os verdadeiros amigos e familiares, que com palavras de carinho e sabedoria, tem nos apoiado neste difícil momento de nossas vidas. Obrigado às minhas duas amadas filhas, por estarem nos apoiando e sofrendo quietinhas para que o seu choro não nos machuque ainda mais. Obrigado por tudo.

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