OKJA é uma ficção que lida com problemas muito atuais

Título original da Netflix se vale de grande liberdade artística para comover e informar.

Por: Benedito Villela Alves Costa Junior 16/07/2017 - 13:28/ Editado em 16/07/2017 - 13:45
Reprodução/Netflix
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Imagine um mundo passando por graves crises de fome em todo o globo. Imagine que nesse mundo uma empresa cria um superanimal que sozinho é capaz de gerar toneladas de comida deliciosa e nutritiva. Agora imagine que a criação desse animal é explorada como um reality show até a hora de seu abate. Não foi difícil imaginar.

Isso é OKJA. O filme do diretor coreano Bong Joon-ho e co-escrito por Bong e Jon Ronson dá vida a essa história tão fácil de ser imaginada e tão atual, adicionando o elemento emotivo a essa mistura, afinal na trama o superporco vencedor do desafio de 10 anos de criação era criado como membro de uma família rural coreana. E a trama evolui para envolvimento de grupos de defesa animal e dos interesses das grandes corporações se contrapondo. 

Além da revelação da pequena atriz coreana Seo-Hyun Ahn no papel daquela que vê Okja não como alimento, mas como um ente de afeto - não à toa, vegetariana -, temos a sempre versátil Tilda Swinton fazendo a vilã corporativa e um histriônico Jake Gyllenhaal no papel de um infeliz astro decadente de TV que se vende à corporação, além do Glenn de Walking Dead no grupo de defesa animal, ao lado de Giancarlo Esposito, o inesquecível Gustav de Los Pollos Hermanos.

Elenco à parte, o filme provocou grandes polêmicas sobre seu enredo, que até lhe rendeu uma indicação à Palma de Ouro em Cannes, em 2017. E, nesse ponto, se torna complicado definir se o filme foi extremamente apelativo e exagerou na humanização do superporco, mostrando eles inteligentes, familiares, protetores e sociáveis, chegando ao exagero de uma cena em um verdadeiro campo de concentração que nada deve à Auschwitz, com um manifesto maniqueísmo de colocar de um lado os não violentos e respeitadores das vontades alheias defensores animais e de outro lado os desalmados burocratas corporativos que só entendem a linguagem do lucro; ou se esse tom era necessário para passar uma mensagem muito maior, afinal de contas a comida que chega em nossas mesas muitas vezes passa por processos cruéis de produção e a linguagem do choque era aquela necessária para se provar um ponto. Não por acaso no ocidente temos como membros familiares gatos, cães e até mesmo os porcos, iguarias em locais não tão distantes.

E assim, cenas viscerais arrancam lágrimas e emocionam até aqueles mais fortes. Uma polêmica produção com uma mensagem totalmente atual - um prato cheio para aqueles que acham que não basta entreter, é necessário informar e impactar. 



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Benedito Villela Alves Costa Junior

Advogado por profissão, Músico em outra Encarnação, curioso a todo momento. Amo as artes e tudo que é belo, e sou fan da tradição de contar histórias e passar conhecimento sempre que possível e para o maior número de pessoas.

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