Ocupação Lanceiros Negros Porto Alegre e o CMP

Essa semana termina com uma polêmica sobre uma desocupação da Brigada Militar de Porto Alegre em um imóvel público na região central da cidade. Entre debates acalorados sobre a forma como a polícia procedeu tal desocupação, eu apenas pretendo focar no movimento em si.

Confesso que não conhecia os “Lanceiros Negros” até tal incidente. Aí, resolvi procurar pela internet suas bases, intenções e demandas. Não tive muito trabalho ao digitar no Google e, em vários links, ter uma ideia do que se trata. Vi que o nome completo, inclusive, é “Ocupação Lanceiros Negros”; ao que acabei me remetendo aos movimentos occupy como os que vimos em Wall Street e, recentemente, em escolas do país. Mas, o cerne da questão é: a qual causa servem? Quem os controla? Qual o intuito deles?

Também em uma pesquisa bem simples, a partir da imagem encontrada na página do grupo no Facebook, percebo que são parte da CMP – Central de Movimentos Populares, que, também em seu site oficial, o http://www.cmp.org.br/ tem suas demandas próprias.

– E qual é o mal disso? – dirão. Nenhum, eu responderia. Apenas atento para o fato de que, ao contrário do que dizem, que eram apenas pessoas em busca de moradia, o movimento me parece bem forte, estruturado e com clara intenção política.

– Segue não tendo nada de errado – dirão, novamente. E eu, mais uma vez, concordarei. Não há nada de errado em se estruturar em torno de uma causa. Apenas, de novo, pondero sobre a instrumentalização de boas intenções em causas políticas. Construir uma narrativa, baseada em uma carência de pessoas, onde, na verdade, esteja embutido todo um discurso panfletário junto é o que realmente me incomoda. Seria como termos que comprar uma caixa inteira de bombons só porque gostamos de 1 ou 2 do mix.

Quem em sã consciência é contra algo que tenta amenizar o sofrimento de quem não tem um teto para se abrigar durante o inverno? Provavelmente ninguém. O que se pergunta é o que se está vendendo juntamente a isso.

Pessoas bem organizadas, com estrutura, trabalho de mídia e apoio em setores da imprensa, geralmente com jornalistas que engrossam o coro da narrativa proposta. O que me parece já algo mais “profissional” do que qualquer outra coisa. E, como vemos muitos grupos de pressão disfarçados de movimentos sociais, não é demais também levantar o questionamento.

E o que seriam grupos de pressões?

Em miúdos, poderíamos dizer que são grupos que agem de forma a validar um discurso de outro grupo. Partidos, geralmente. Sendo assim, grupos de pressão servem para embasar discursos e colocá-los em “prática”, gerando uma demanda política para que possa-se vender uma solução. Entre os mais famosos, podemos citar o MST e o MTST.

Portanto, apenas eu tento aqui, ressaltar a importância de atentarmos para os interesses revestidos em causas aparentemente boas e úteis. Certamente queremos ver cada vez menos pessoas tendo problemas de falta de moradia, mas, para isso, nem sempre é necessário aceitarmos o “tratamento” proposto embutido.

O remédio amargo, aquele que ninguém aceitaria como tratamento a menos que a situação não fosse caótica o suficiente para que se concluísse que “dos males, o menor”. Mas, como já publiquei em minha coluna de estréia do site, o mal, menor ou maior, ainda assim é um mal. Temos que atentar se o que se propõe para amenizar uma dor é um tratamento de fato ou uma eutanásia. E esse é o cerne todo do que proponho aqui. Ao que, de fato, tal demanda está vinculada?

Foquemos mais em soluções e deixemos de lado essa fábrica de demandas, justamente encomendadas por quem quer vender a solução.

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Rogério Ketzer

Administrador com especialização em Psicologia Forense, co-autor do livro Psicologia Forense: conexões interdisciplinares. Atualmente, colunista com veia fortemente sarcástica e irônica.

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