Perseguição aos homossexuais na Chechênia toma novas proporções

Jornal russo divulga dossiê sobre campos de concentração, torturas e até morte em uma das capitais mais conhecidas do país.

Por: Vanessa Caldas 12/04/2017 - 21:19/ Editado em 12/04/2017 - 21:39
Reprodução/Twitter
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Qualquer semelhança com a década de 30 não é mera coincidência: Chechênia abre o primeiro campo de concentração do mundo para homossexuais desde os tempos de Adolf Hitler. Ativistas dizem que os homens entre 15 e 50 anos estão sendo torturados com choques elétricos e espancados até a morte.

A reportagem saiu em um dos jornais mais importantes da Rússia, o Novoya Gazeta. Ela informa que as autoridades já prepararam outros campos onde os homossexuais seriam mortos ou forçados a abandonar a república. Um dos campos é um antigo quartel militar na cidade de Argun.

Em outra reportagem, o jornal New York Times afirma que homens de toda a Rússia estão apagando seus perfis em aplicativos e redes sociais pois as autoridades estariam usando destes meios para encontrar com homossexuais e prendê-los. 

Segundo o dossiê mais de 100 homens foram considerados culpados do crime de homossexualidade e três mortes foram confirmadas. Dentre eles estão dois famosos repórteres locais, além de alguns líderes religiosos. Um dos fugitivos contou ao Novoya Gazeta que os prisioneiros eram espancados no intuito de revelarem identidades de outros membros da comunidade gay. 

De acordo com a porta voz da organização LGBT russa, Svetlana Zakharova,pessoas gays estão sendo detidas e perseguidas. Nós estamos trabalhando para tirá-los dos campos e alguns já fugiram da região. Outros que escaparam disseram que os prisioneiros estão sendo mantidos amontoados num quarto com entorno de 30 ou 40 pessoas e estão sendo torturadas com correntes elétricas e sofrendo graves agressões, levando até à morte.

Outro sobrevivente relata que antes de ser encarcerado, os policiais chechenos cobraram milhares de rublos para que o mantivessem vivo. Ele também declarou que os campos de concentração são uma nova etapa do regime contra os gays.

O representante da Anistia Internacional na Rússia, Alexander Artemyev, deu seu parecer : “A única coisa que podemos fazer é pedir às autoridades russas que investiguem essas alegações. Os homossexuais são perseguidos e tratados com dureza, tendo medo de se pronunciar. Eles têm a opção de se esconder ou deixar a república. Estamos mantendo contato com organização LGBT que ajuda a encontrar abrigo para os execrados. No entanto as pessoas que ajudam não falam a respeito do assunto com medo de estarem colocando as próprias vidas em perigo. Este é o obstáculo principal que estamos enfrentando na Rússia

Na semana passada o presidente da Chechênia Razman Kadyrov, grande aliado de Vladimir Putin, deixou a entender que teria supostamente ordenado a repressão no entanto a informação oficial do estado é que é impossível perseguir pessoas que não existem nesta república.” Ele foi bem enfático ao declarar que é impossível oprimir uma classe de pessoas que simplesmente não existe nesta comunidade. Mesmo se tais pessoas existissem na Chechênia, as autoridades tampouco haveriam de se preocupar pois as próprias famílias se encarregariam de lhes enviar para onde jamais pudessem voltar.”

Kadyrov foi quem introduziu o regime islâmico nessa região que é predominantemente dominada por mulçumanos. Ele afirma que essas alegações são mentiras e falta de informação da mídia. A sociedade Cechena é totalmente conservadora, diferente de outros países onde a parte da comunidade normalmente apoia o ativismo, neste país qualquer apoiador da causa pode ser facilmente deserdado ou morto pela própria família.

A Vigilância dos Direitos Humanos em Moscou se pronunciou através de Tanya Lokshina que diz: “Há semanas tem corrido uma campanha brutal contra a comunidade LGBT por toda a Chechênia. Atualmente pouquíssimas pessoas têm coragem de falar com jornalistas ou monitores de direitos humanos até anonimamente pois o clima de medo se instaurou entre a população que se sente intimidada. Registrar uma queixa oficial contra oficiais da polícia é extremamente perigoso e nesses casos a retaliação das autoridades locais é inevitável. Não podemos enfatizar o suficiente o quão vulneráveis estão as pessoas da comunidade gay aqui na Chechênia onde a homofobia é intensa e desenfreada. Essas pessoas estão em perigo não somente por causa da perseguição pelas autoridades mas também correm riscos de serem vítimas das famosas ‘mortes de honra’ promovidas pelas próprias parentes estarem trazendo desonra às famílias."

Ekaterina Sokirianskaia, diretora de projetos da International Crisis Group, deixa a entender que podem haver mais descobertas sobre esta situação: “A história está se desenvolvendo e as vítimas estão escapando...”

Outras capitais já se posicionaram contra a brutalidade que está sendo cometida na Chechênia e protestos se espalham pelas embaixadas da Rússia ao redor da Europa como essa manifestação em Londres:

 

 

 

 

 

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Vanessa Caldas

Vanessa Caldas é uma cronista e escritora carioca, redatora do 1News e autora do livro Crônicas Modernas e Um Conto que Não Virou Filme.

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