Quando o politicamente correto induz a uma escolha equivocada

Ao elaborar uma pergunta tendenciosa e mal formulada, Fátima Bernardes, induz a população a dar uma resposta falsa. Por que será que alguns meios de comunicação cobrem de forma tendenciosa e desproporcional mortes que ocorrem em nossa sociedade? 

São vários os exemplos que poderia citar, mas vou me resumir a relatar apenas dois que ocorreram recentemente e que ilustram bem o que digo. Houve uma comoção generalizada, na rede Globo de Televisão, quando um “dançarino” do Programa Esquenta foi abatido em uma suposta troca de tiros entre policiais e traficantes em um morro carioca. Estava de plantão no SAMU, em uma tarde de domingo, quando presenciei a apresentadora Regina Case e vários outros ” artistas globais”, darem seu depoimento à favor do “pobre infeliz” baleado. Quase crucificaram a PM do Rio de Janeiro por esse episódio, enquanto enalteceiam ao máximo o menino humilde da comunidade carioca. 

Horas após esta “grandiosa” homenagem, fotos e filmagens do falecido carregando um fuzil e pistolas automáticas invadiram as redes sociais. O “inocente dançarino” era um dos integrantes ativos do tráfico e do crime organizado no Rio de Janeiro. A proximidade de garotos ricos da sociedade e de meninos pobres da periferia brasileira, é um fator que facilita tanto a aquisição de drogas, quanto garante também uma ilusória proteção aos mais afortunados. Não podemos também desconsiderar a facilidade com que a periferia se satisfaz com músicas e programas de baixa qualidade e de gosto questionável. 

Seriam este os motivos que justificaria esta simpatia?

A desigualdade da cobertura da imprensa por atrocidades semelhantes praticadas contra a nossa sociedade, fica claro, quando analisamos o caso da linda estudante de medicina capixaba, que foi baleada e morta defronte ao seu padrasto, quando foi no dia das mães, visitar sua progenitora no Rio. Era uma visita surpresa. A menina de classe média, de cabelos lisos, pele clara, estudiosa e gentil, não teve um milésimo da atenção que a imprensa dedicou ao rapaz traficante amigo dos artistas famosos.

Será que uma quantidade aumentada de melanina na pele de um cidadão acresce maior valor à sua vida? Ou será que um cidadão de classe média não merece a mesma condescendência que um pobre oprimido da periferia? 

Chega a ser vergonhoso a disparidade com que tratam assuntos tão semelhantes : a morte de jovens cidadãos brasileiros. O mesmo problema enfrentam e sofrem os policiais brasileiros que enfrentam a bandidagem que ameaça a nossa sociedade. São alvos fáceis e só podem revidar a agressão   quando são atacados. Os bandidos atiram para matá – los e eles precisam dosar ao máximo o  grau de letalidade de seu contra ataque, para não ser penalizados pela imprensa, pela promotoria, pela corregedoria e pelos grupos defensores dos direitos humanos. A “sociedade” só entende o valor destes importantes servidores públicos quando deles precisam. Basta ter um filho sequestrado ou morto por bandidos que a visão logo muda.

Precisamos parar de fazer apologia ao crime e darmos valor a quem realmente tem valor. Esta política de vitimização implantado em nosso país na última década só interessa ao crime organizado e aos políticos populistas que dele se beneficia. A vida humana é um bem de valor inestimável e todas merecem ser respeitadas e preservadas.

Como médico, dou o mesmo tratamento aos bandidos que daria aos policiais. Acredito que todos merecem consideração e respeito. Assim aprendi com meus pais e com meu curso de medicina. Não nos cabe julgar e muito menos condenar qualquer cidadão. Para facilitar a análise da pergunta da apresentadora Fátima Bernardes, que à tantos incomodou, sugeriria que a mesma tivesse feito a pergunta de uma forma mais clara e bem elaborada. 

Deveria perguntar: Se houvesse duas pessoas feridas mortalmente, um policial e um bandido, quem você atenderia primeiro? Eu, sem sombra de dúvida, atenderia primeiro o policial que estava arriscando sua vida para proteger a nossa sociedade de seus malfeitores. Seria mais fácil responder. Errariamos menos e seríamos mais justos.

Pergunta semelhante à esta poderia ser feita : Se duas pessoas estão se afogando, seu filho e um desconhecido, e você só tem a oportunidade de salvar apenas um. Quem você salvaria primeiro, seu filho ou o desconhecido? Quando ela, Fátima Bernardes, faz a pergunta : Quem você salvaria primeiro,  um policial levemente ferido ou um bandido ferido gravemente?, você induz ao erro quem responde levando em consideração o politicamente “correto”.

Qual pessoa comum da sociedade brasileira estaria em condições técnicas de julgar se um caso que parece simples, não é na realidade, um caso grave? Até nós médicos treinados, às vezes necessitamos de exames sofisticados para afastar a gravidade de uma lesão. Quantas não foram as vezes que já vi pacientes baleados entrarem no pronto socorro andando e saírem do centro cirúrgico direto para o necrotério.

Precisamos dar um basta nesta situação. O Brasil precisa dar valor a quem realmente tem valor.

 

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