Por que sou contra a liberalização da maconha?

 

Como cidadão brasileiro, médico, pai de duas jovens e professor universitário, sinto-me na obrigação de expressar minha opinião sobre um assunto muito polêmico : “a discriminalização do uso da maconha e a legalização de seu comércio”.

De início já me posiciono: SOU CONTRA.

Seria mais politicamente correto, e por que não dizer, “mais moderno e popular”, defender a idéia oposta, mas com certeza, não ficaria em paz com minha consciência. Quando jovem, 16 anos, tive a oportunidade de utilizar por 1 ano, e de maneira esporádica, a danada da “ervinha do capeta”. 

Preguiça, um certo grau de acomodação e passividade, perda da capacidade de concentração e competitividade, fome excessiva e compulsiva em certos momentos pós utilização, acompanhado de um certo grau de paranóia foram as sensações que se fizeram presentes neste período. Não poderia deixar de mencionar as diversas outras drogas que me eram oferecidas (e não aceitas), uma espécie de “Combo”, por meus antigos “amigos” usuários.

Por sorte e ironia do destino, meu melhor e mais querido amigo, meu falecido pai, encontrou uma pequena quantidade de maconha em meus pertences, e após 1h de conselhos e orientações, me tirou deste perigoso caminho.  A maioria de meus amigos que não tiveram a mesma sorte, tiveram o seu futuro profissional e intelectual muito prejudicado.

Recentemente, li um artigo interessante que mostrava uma velha e astuta estratégia utilizada para se mudar a opinião de uma sociedade sobre um assunto qualquer. 

A receita é simples e certeira. 

Arruma-se um grupo de pessoas influentes e simpatizantes ao projeto à ser aprovado, contrata-se uma boa empresa publicitária (lembram da droga que João Santana nos enfiou goela à baixo?) e faça a veiculação em um meio de comunicação de respeito e credibilidade. Pronto, faltará pouco para a população começar a acreditar que é moderno e correto  aceitar o novo pensamento. 

Pensarão também que a opinião obsoleta de uma parcela “minoritaria” e “arcaica”  da população precisará ser urgentemente modificada, para o “bem e o progresso” da sociedade. Feito isso, é só  aguardar a aprovação e a implantação do novo projeto.

Comecei a achar que havia algo de errado, quando vi matérias jornalisticas bem elaboradas, mostrando o sofrimento de pais que necessitavam importar as eficientes drogas anti-convulsivantes derivadas da maconha, para livrar seus amados filhos de um sofrimento subhumano. 

Uma luta inglória para superar os obstáculos e vencer a burocracia e as dificuldades impostas pela ineficiente e letárgica ANVISA. Acoplada a estas matérias, de maneira sutil e subliminar, mostrava-se estados americanos “desenvolvidos” (Califórnia) onde a “inofensiva” droga havia sido liberada, sendo utilizada para produzir os mais variados produtos (de um “inocente” biscoito ao nobre medicamento desejado). Não deixavam de realçar o espírito empreendedor de jovens investidores de sucesso que geravam grandes lucros (fortunas) e uma alta arrecadação de impostos pelo estado. Só faltavam dizer: “Vamos nessa, é esse o caminho do sucesso”.

Com a experiência que adquiri com os vários tombos que já tomei na vida, aprendi que uma proposta muito boa e tentadora, precisa ser analisada com o dobro de cautela.

Como dizia uma antiga e sábia música de sucesso: “Laranja madura, na beira da estrada, tá bichado, oh Zé,  ou tem marimbondo no pé. “

Sendo assim, resolvi fazer-me alguns poucos questionamentos. 

Por que utilizamos drogas consagradas e eficazes, derivadas de outras substâncias proibidas, sem tanta polêmica? Precisou-se liberar a utilização do ópio para podermos utilizar o potente analgésico denominado morfina? Qual seria o impacto no desenvolvimento psicológico e intelectual de nossas futuras gerações de jovens? Como o estudo, a aquisição de conhecimento e a nossa competitividade intelectual e tecnológica seriam afetadas?  Será que o dinheiro arrecadado com os impostos recolhidos com a venda destes produtos, não seria insignificante, perante aos prejuízos causados pela utilização desta droga? Lembram da guerra do ópio na China? E o possível aumento de câncer de pulmão que também poderá afetar os novos consumidores deste produto?  Como ignorar as pesquisas que mostram um risco geneticamente determinado de alguns usuários desenvolverem um grave quadro de esquizofrenia? 

Sinto muito amigos, acredito ser os riscos e os prejuízos em potencial, da liberação da maconha, são muito maiores que os benefícios advindos de sua liberação e comercialização. Argumentos como: “o cigarro e o álcool  também matam e são liberados”, “diminuirá o número de traficantes e haverá uma redução na população carcerária”, “usa quem quer”, “maconha não vicia”, “melhorará a arrecadação de impostos pelo estado”, são argumentos fracos, que tentam utilizar para induzir-nos a um grave e significativo erro.

Por isso, continuo com a minha modesta e “arcaica” opinião : SOU CONTRA A LIBERALIZAÇÃO DA MACONHA E A LEGALIZAÇÃO DE SEU COMÉRCIO. Precisamos descobrir outras formas mais seguras e éticas de gerar recursos e de aumentar a arrecadação de impostos por parte do governo. Daqui há alguns anos, a cocaina será a queridinha da mídia. 

Precisamos ficar alertas e vigilantes.

 

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