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Ela matou o ex com 12 tiros e foi absolvida. Saiba o motivo da absolvição

Ana Raquel Santos da Trindade, gaúcha, 31 anos. Em 2013, ela conheceu o paranaense Renato Patrick Machado. Massoterapeuta, ela foi convidada pelo novo namorado para trabalhar em seu spa, em Curitiba, e aceitou.

“Ele foi me buscar na rodoviária e, depois, sumiu por uns três dias. Quando voltou, primeiro, disse que ia fazer uma massagem em mim. Eu não imaginava que ele estava drogado e que eu seria estuprada. Fui dopada, trancada no quarto, lembro dele em cima de mim tendo relações comigo”, relatou a gaúcha no processo.

Após ter sido violentada, Ana tentou ir embora, mas não conseguiu. Renato a ameaçava dizendo que iria matar o filho dela de quatro anos. Ana descobriu que o spa de Renato era, na verdade, uma casa de prostituição. Ele ganhava dinheiro transformando massoterapeutas em “terapeutas sexuais” e fez o mesmo com a namorada, que passou a ser agredida e estuprada também por outros homens. Ela ainda era mantida acorrentada dentro do quarto e ficava sem comer por vários dias. “Eu me sentia um lixo. Pedia a Deus para morrer logo”, contou.

Mesmo após denúncias, o “spa” continuou aberto. Após seis meses, Ana conseguiu fugir de volta à Florianópolis. Renato continuou perseguindo Ana por cerca de um ano e meio. Só na delegacia especializada em violência doméstica, Ana registrou mais de 15 boletins de ocorrências: oito por estupro, três por tentativa de assassinato em frente ao filho e quatro por ameaças de morte. Ela também solicitou à Justiça uma medida protetiva, para impedi-lo de se aproximar, mas foi negada. “A verdade é que a Justiça falhou com ela. Muita antes do pedido da medida, ele deveria ter sido preso pela Lei Maria da Penha”, afirmou o promotor Andrey Amorim. 

Para se proteger, Ana comprou um revólver calibre 32. No dia 16 de novembro de 2014, quando ouviu Renato forçar o portão para entrar, Ana buscou o revólver que guardada embaixo do colchão e atirou doze vezes, acertando nove. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu após duas semanas.

Ana foi presa e levada ao presídio feminino. Ficou presa por 24 dias, e no dia da sua soltura, foi aplaudida pelas outras detentas. Por não ter nenhum antecedente criminal, Ana aguardou o julgamento em liberdade, cumprindo com todas as exigências legais.

Sete testemunhas reiteraram a versão de Ana durante o julgamento. Quando questionada pelo promotor se sentia remorso, ela disse estar “aliviada”, que preferia “viver na cadeia a sofrer tanta violência”.  Para o promotor outro desfecho não seria possível. “Ele fez da vida dela um inferno. Só restou o direito à legítima defesa”. Tanto o promotor Andrey Cunha Amorim quanto os jurados entenderam que ela não tinha mais recursos diante da ineficiência do serviço de proteção à mulher. Ana já havia registrado 20 boletins de ocorrência contra o agressor, mas ele nunca foi preso.

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Nellysson Silva

Sócio-fundador do portal 1News Brasil. Quer falar comigo? Fique à vontade: nellysson@1news.com.br

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